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Biografia

É necessário um diferencial – e, porque não, sorte -  para que uma banda consiga se destacar, entre as dezenas que surgem todos os dias, no cenário musical norte-americano. É preciso que sua singularidade – e sorte – seja ainda maior para que ela consiga ultrapassar as barreiras nacionais, atinja outros continentes, e mais: seja popular neles. Pois o Panic foi dotado, além de um som único e original, de tanta sorte que faria inveja ao maior dos trevos.

Quando os jovens Ryan Ross e Spencer Smith pediram guitarra e bateria, respectivamente, como presentes de natal, eles nunca iriam imaginar que seu interesse por música poderia levá-los tão longe. Os dois, assim como Brendon Urie e Brent Wilson – os quais, mais tarde, viriam a integrar o grupo – nasceram em Las Vegas, e moravam numa comunidade nos subúrbios, chamada Summerlin. Ryan e Spencer se conheceram ainda muito jovens, com 6 e 5 anos, e além da amizade local, frequentaram a mesma escola católica durante o ensino médio; em torno dos 12 anos, os dois decidiram pedir aos pais instrumentos musicais, inspirados pelas grandes bandas das quais eram fãs na época. “Na verdade, naqueles primeiro anos, tudo o que fizemos, foram covers do Blink 182″, lembra Spencer, rindo – ainda que a dupla nunca tenha escondido dos fãs a admiração pelo grupo.

A aproximação com Brent Wilson, no baixo, realizou-se cedo, com 14 anos, e junto com um outro colega chamado Trevor, na guitarra – Ross era o vocalista -, fundaram a “Pet Salamander“, a primeira experiência musical do grupo. O amadurecimento foi gradativo, e após alguns nos, Ryan, Spencer e Brent criaram a “Summer League“, banda na qual Ryan fazia tanto a guitarra quanto os vocais; o som, no entanto, ainda era muito diferente do que viria a ser com o surgimento do Panic, e soava mais como as dezenas de bandas pop-punk que pipocavam naquele período.

Foi quando Brent foi transferido para a Palo Verde High School e conheceu Brendon Urie, durante as aulas de guitarra, que a figura do Panic começou a se esboçar. O baixista convidou o outro para tentar uma vaga como guitarrista na banda – já que Trevor, por alguma razão, deixara o grupo -, e após um teste, o rapaz foi admitido no grupo – a principio, na guitarra. “Isso foi por um mês ou dois, e então um dia Ryan me perguntou se eu queria cantar, e eu falei “˜ah, claro, vou tentar’” – contou Brendon, posteriormente. Quanto ao nome da banda? “Dois meses depois de eu me tornar o novo vocalista, nós estávamos em dúvida entre “˜Burn Down The Disco‘ e “˜Panic At the Disco‘. “˜Burn Down The Disco‘ é da música “˜Panic‘, do The Smiths, e o outro é de uma música do Name Taken, também chamada “˜Panic’. Por alguma razão, que nós não sabemos, acabamos nos decidindo por “˜Panic! At The Disco‘.”

Os quatro gravaram duas músicas demo no laptop de Ryan, e após hospedá-las no PureVolume (site de música norte-americano), decidiram tentar a sorte, enviando os links para Pete Wentz, do Fall Out Boy, já que sabiam que ele havia recentemente fundado um selo e estava a procura de bandas. Eles próprios admitem que não tinham grandes esperanças além de um comentário de motivação, e qual não foi sua surpresa quando o baixista fez contato, marcando uma audição para ouvi-los ao vivo! Ryan e Brendon apresentaram versões acústicas das poucas músicas quem haviam escrito – apenas três -, no local de ensaio da banda, em Las Vegas, e identificando neles algo de diferente, Pete decidiu contratá-los pelo seu selo independente, a Decaydance, em união com a gravadora indie Fueled By Ramen – fato que ocorreu em torno de Dezembro de 2005.

O primeiro CD, “A Fever You Can’t Sweat Out“, foi lançado em 27 de Setembro de 2005 e apresentava uma estruturação distinta da maioria dos álbuns: começando com uma faixa introdutória, a primeira metade do disco apresentava músicas mais eletrônicas, com sintetizadores e batidas computadorizadas, e – após uma faixa de separação – a segunda se baseava em instrumentos mais tradicionais e antigos, como o piano, o violoncelo e o bandolim. “Na primeira metade do CD nós estávamos um pouco menos focados em bandas e mais na idéia de escrever músicas as quais as pessoas pudessem dançar. [...] A segunda metade surgiu, em parte, porque nós estávamos cansando de escrever músicas só com teclados, guitarras e batidas,“ explicou Ryan. Além das melodias marcantes, o álbum também se diferenciou pelas letras provocantes, que tratavam de assunto como o alcoolismo, a prostituição, o adultério e a religião. O álbum fez tanto sucesso que a banda se transformou, de arriscada aposta, para um dos títulos principais da Decaydance, e não demorou a que o disco ganhasse platina. Atualmente, as vendas já ultrapassaram 1,6 milhão de cópias em todo o mundo. O vídeo para “I Write Sins Not Tragedies“, também, ganhou o prêmio de Melhor Vídeo do Ano no Video Music Awards de 2006, elevando ainda mais a imagem do grupo.

Os primeiros shows foram particularmente difíceis para os quatro, que tinham quase nenhuma experiência, tanto em shows quanto em apresentações de longa duração. passado o choque, porém, a banda começou a realmente investir em seus shows ao vivo, que ficaram conhecidos pelo forte apelo visual que exerciam, com figurinos e cenários trabalhados, maquiagens complexas, dançarinas e contorcionistas, detalhes que deram a eles a fama de banda teatral de cabaré. Em julho de 2006, o baixista Brent Wilson deixou a banda sem maiores explicações; os outros justificaram a saída, depois, dizendo que ele não se dedicava o suficiente e que, na realidade, mal chegara a participar das gravações de “A Fever” – ainda que seu nome tenha aparecido nos créditos autorais e nos agradecimentos. A substituição encontrada veio da própria Fueled By Ramen: Jon Walker, funcionário da FBR, que trabalhara com o The Academy Is… e com o Panic! durante a turnê “Truck Stops and Statelines“, no começo do mesmo ano. Após uma audição, foi aceito de bom grado, uma vez que já havia certa amizade entre ele e os membros da banda.

Em 2007, o Panic começou a empregar esforços em um segundo álbum; muito mais maduros e experientes que na primeira vez, o grupo se retirou da rotina de shows para uma cabana nas montanhas de Nevada, e lá ficaram por quase todo o primeiro semestre. No Summerfest, em julho, eles apresentaram uma música nova, “True Love“, que evidenciava o quanto a banda mudara em termos musicais; após o festival, entretanto, a banda anunciou que havia descartado todo o material feito até então para se direcionar por um outro caminho. “Nós passamos por uma fase de escrever que só ocorreu porque ficamos em turnês por muito tempo, e nós estávamos tão enjoados dessas músicas antigas que decidimos escrever músicas que eram realmente complicadas e desafiadores para nós,” explicou Ryan. “Então nós percebemos que também não teríamos nenhum prazer em tocar essas [músicas], e por isso decidimos rejeitar todo o projeto. Havia uma estória atrás de todo o álbum, uma estória curta, e nós decidimos deixá-la de lado e apenas começar a tocar como uma banda, e tem sido muito melhor.

Entre aplausos e reclamações, o Panic apresentou alguns frutos desse trabalho um tempo depois, no Carling: Reading and Leeds Festival, com músicas como “Nine in the Afternoon“ e “When the Day Met the Night“, ainda em versões demo. Se “True Love“ já mostrara um estilo musical diferente, este se concretizou com as novas canções, que abandonavam os temas polêmicos para outros mais felizes e suaves, reflexo da mudança de vida dos próprios membros, principalmente Ryan. “Nós temos umas seis ou sete músicas que são bem mais completas… e [elas são] muito mais ‘elevadas’. Elas têm um ar mais positivo. É meio difícil escrever um bando de músicas tristes se você não está mais triste,” contou Ross a MTV, em Setembro de 2007.

Em Janeiro de 2008, após uma série de enigmas em seu site, o Panic divulgou o título do segundo CD, “Pretty.Odd.“, além do nome de todas as músicas que fariam parte dele. As já conhecidas “When the Day Met the Night“ e “Nine In the Afternoon“ juntaram-se a muitas outras faixas, numa compilação total de 15 músicas. “Nine” foi escolhida como primeiro single, e sua versão final foi liberada em 29 de Janeiro, por meio do MySpace da banda, revelando uma mixagem totalmente diferente de “A Fever”, na qual os sintetizadores e teclados trabalhados foram substituídos por cornetas e gaitas, aliados a uma naturalidade completamente diferente da perfeição computadorizada do primeiro álbum. “Nós não estamos usando sintetizadores nesse álbum, e a coisa mais legal e surpreendente para mim é que a maneira como gravamos esse disco é totalmente diferente do primeiro CD. Dessa vez, na verdade, nós tocamos juntos ao vivo no estúdio. Nós fazíamos quatro tomadas, talvez, e escolhíamos a melhor delas. Nós estamos tentando fazer o álbum soar tão natural quanto possível,“ disse Brendon, no começo do ano, a Kerrang!.

No mesmo mês, o grupo também anunciou que o “!”, de Panic! At The Disco, fora retirado do nome, por motivos práticos; apesar da medida parecer ter desagradado a maioria dos fãs, o nome foi oficialmente alterado para Panic At The Disco em todos os sites oficiais ligados ao grupo. Outra mudança foi o abandono do estilo circense, fato que foi noticiado pelos próprios membros; Ryan, porém, afirmou que os shows do Panic continuarão a ter um forte apelo visual.

Ainda em janeiro, o Panic foi anunciado como artista principal da Honda Civic Tour, em sucessão ao Fall Out Boy, que fora o headliner na edição de 2007; a turnê, que começa em abril, irá dar suporte ao lançamento do segundo CD e indica, sem sombra de dúvida, o porte descomunal que a banda atingiu após esses três anos de existência, a exemplo dos líderes de edições anteriores, como Black Eyed Peas, Good Charlotte, New Found Flory, Blink-182 e o próprio Fall Out Boy. Segundo Brendon: “Esses caras deixaram o evento num nível bem alto, mas nós estamos nos preparando para voltar a estrada novamente e estamos definitivamente prontos para o desafio.”

Em março de 2008, Pretty.Odd. chegou às lojas, acompanhado de extensa turnê divulgação, e alguns meses depois viria a atingir a marca de mais de 600 mil cópias vendidas, marca ligeiramente inferior a de seu sucessor, mas razoável para o estado de declínio que sofre o mercado fonográfico atual. Em meados do mesmo ano, o grupo anuncia que já estava trabalhando em músicas para um novo álbum durante turnês e que este deveria sair até o fim de 2009. “That Green Gentleman“; e “Northern Downpour“;, ainda em 2008, também ganham videoclipes. No fim do do mesmo ano, a banda lança um disco ao vivo, compilando canções de ambos os álbuns.

O ano seguinte começa calmo, mas cheio de expectativas. Brendon participa de “Open Happiness”, música tema da nova campanha da Coca-Cola produzida por Butch Walker e recheada de participações especiais. Uma possível parceria com o Blink 182, anunciada via Twitter por Mark Hoppus aumentam as expectativas para um novo álbum de ambos os grupos.

Em julho de 2009, o Panic At The Disco sofre uma baixa e perdeu dois integrantes: Ryan Ross e Jon Walker decidiram deixar a banda sob a alegação de divergências criativas. A dupla então formou uma nova banda junto, o The Young Veins. Brendon e Spencer decidem continuar com o Panic! At The Disco e resgatam a exclamação que figurava no nome original da banda. Algumas semanas depois foi lançada “New Perspective”, novo single da banda exclusiva para a trilha sonora do filme Jennifer’s Body e com promessas de novo álbum para o ano seguinte.

Mas foi quase dois anos depois que a promessa se concretizou. O terceiro disco de estúdio foi anunciado para o começo de 2011 e antes mesmo de janeiro acabar, o primeiro single “The Ballad of Mona Lisa” já circulava pela internet. No dia primeiro de fevereiro a canção foi lançada oficialmente e agradou aos fãs da sonoridade do primeiro disco. Ficava evidente que a intenção da “nova” banda, agora revigorada e com a sua pontuação original restaurada, era apresentar uma nova sonoridade, mas que contivesse os elementos dos trabalhos anteriores. O álbum completo, Vices & Virtues chegou às lojas em 22 de março e foi muito bem recebido pelo público e pela crítica. Desse trabalho, ainda foram lançados outros dois videoclipes: “Ready to Go”, em que Brendon arrisca passos de dança coreografados, para muitos um dos melhores videoclipes do grupo e Let’s Kill Tonigt, com imagens de arquivos de show do grupo.

E a história continua…